segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Calvinismo ou Arminianismo?

Quando penso que o debate acerca das principais correntes teológicas que tratam da doutrina da salvação, a saber: o Calvinismo e o Arminianismo, já dura mais de quatrocentos anos, um texto muito conhecido porém pouco estudado, sempre vem ao meu pensamento: João 1:12 e 13 –
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Este texto mostra que somente a quem recebeu e creu em Jesus foi dado o direito de se tornar filho de Deus, logo existe uma escolha pessoal, a escolha de crer e receber a Jesus. Este ponto se contrapõe ao pensamento Calvinista de que alguns foram predestinados para a salvação e outros para a condenação eterna. O texto de João 1 também nos mostra que aqueles que receberam a Jesus e creram em Seu nome não foram gerados por vontade humana, mas nasceram de Deus, ou seja, Deus, em Sua onipotência e onisciência já havia escolhido a estes mesmo antes de nascerem, de acordo com Efésios 1: 4,5
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
Creio que existe livre –arbítrio e que cada um de nós escolhe a vida eterna ou a morte eterna, principalmente quando leio Deuteronômio 30:16-19
Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os
seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
Outra passagem que reforça minha posição é o versículo de Provérbios 14:12
Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. Salomão afirmou que o ser humano pode se enganar em relação ao caminho que escolhe seguir, caminho este que pode levá-lo à destruição eterna. Portanto, a tese Calvinista de que o ser humano não faz sua escolha também não é sustentada por este texto da Bíblia.
A minha conclusão pessoal é de que, através do livre arbítrio que nos foi dado, escolhemos crer em Jesus e recebê-Lo, porém o nosso criador, Deus, sempre soube que faríamos essa escolha. Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus, mas Ele já sabia que isto aconteceria e já havia preparado o plano de salvação e redenção da humanidade que Ele criara. De maneira semelhante, o apóstolo Judas escolheu se apostatar da fé e trair o Filho de Deus, mesmo tendo caminhado ao lado de Jesus.
Em Atos 1:16-20 lemos o que Pedro disse sobre Judas:
Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus; Porque foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério. Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém; de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de Sangue. Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite, e: Tome outro o seu bispado.
Deus, em sua onisciência, sabia qual seria a escolha de Judas, que cumpriu o seu papel de traidor para que se cumprissem as Escrituras em Salmos 69:25
Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas.
No tocante à possível perda da salvação, não creio que exista a possibilidade de perdê-la, mas sim a de nunca escolher recebê-la. Como base para esta posição pessoal, parto do princípio de que, se a salvação é um dom de Deus, de acordo com Efésios 2:8 - Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. - e em Romanos 11:29 lemos que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis- logo a salvação que alguém recebe não pode ser revogada ou anulada; ela é eterna. Ao meu ver, as pessoas que se desviam do caminho da salvação ou vivem voluntariamente na prática do pecado nunca experimentaram o novo nascimento sobre o qual Jesus falou a Nicodemos em João 3:3-7
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O texto de Romanos 6:1-8 corrobora com minha visão pessoal, pois “nascer de novo” significa morrer para o pecado, de maneira que aquele que morreu para o pecado tem a este com “acidente de percurso” ou “errar o alvo” e não como estilo ou conduta de vida.
Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Romanos 6:1-8

Além disto, quem nasceu de novo genuinamente e tem o Espírito Santo pode discernir entre o que agrada e não agrada a Deus, de modo que não consegue viver anulando o sacrifício de Jesus, como lemos em Hebreus 10:26
Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,
Minha posição pessoal se identifica com o pensamento Arminianista, segundo o qual “Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.”

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